
Este é o teu primeiro jogo, meu filho.
Espero que ganhes.
Espero que ganhes, por ti,
não por mim.
Porque ganhar é bom.
Sabe bem.
É como se o mundo
fosse nosso.
Mas esse sentimento dura pouco.
E o que fica
é o que aprendeste.
E o que aprendeste,
foi a vida.
É disso que o desporto trata,
da vida.
Tudo se joga
numa tarde.
A felicidade da vida.
Os sofrimentos.
As alegrias.
Os desgostos.
Não se pode prever
o que vai acontecer.
Não se pode prever
se te vão pôr fora do jogo
ao fim de 5 minutos
ou se vais ficar
para o demorado esforço.
Não se pode prever
como te vais portar.
Poderás ser um herói,
ou poderás não ser
absolutamente nada.
Simplesmente não se pode prever.
Demasiado depende do acaso.
Do modo como salta a bola.
Não é do jogo que estou
a falar, meu filho.
É da vida que eu falo
Mas é da vida que o jogo trata.
Tal como disse.
Porque o jogo é sempre vida.
E a vida jogo.
Um jogo sério,
extremamente sério.
Mas é isso mesmo que fazes
com as coisas sérias.
Fazes o melhor que sabes.
Recebes o que te vem às mãos.
Recebes o que te vem às mãos
e com isso corres para a frente.
Ganhar é agradável,
certo.
Mas não é de ganhar
que se trata.
É de querer ganhar
que se trata.
É de nunca se ficar satisfeito,
com o que se faz
que se trata.
É de não amolecer
que se trata.
É de não deixar ninguém
ficar mal
que se trata.
Jogar para ganhar,
certo.
Mas perder como
um campeão.
Porque não é ganhar
que importa.
O que importa
é tentar.
Eugénio Lisboa
Um comentário:
O jogo como metáfora da vida... Jogar para vencer... Jogar porque isso é viver! E vencer!
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