terça-feira, maio 06, 2008

O gene é quem mais ordena...


Na sociedade de hoje existem valores que se vão dissipando... A família tal como nos foi apresentada pelos nossos pais e avós, é cada vez mais uma imagem desfocada no horizonte, bem junto à linha onde o sol se despede de mais um dia.
Temos casais que se casam, se separam, se juntam em união de facto, têm filhos, adoptam, voltam a casar, voltam a juntar-se, voltam a separar-se...
Gostaria de me focar num ponto, muitas vezes esquecido, no meio desta roda viva que são as relações dos tempos correntes... Os "pais" que não são pais, os "pais" que não têm o direito de educar, que não têm o direito de tomar decisões, apenas o direito de amar e cuidar, sem falhas, sem sobressaltos...
O chamado "padrasto"/"madrasta", "amigo da mãe"/"amiga do pai" que deve alcançar uma relação idilica com o tesouro da mãe (existirá uma relação idilica neste mundo?). Chego finalmente ao cerne da questão... Qual o direito que a sociedade deveria atribuir aos homens e mulheres que criam laços de "paternidade", "maternidade" e amor com os filho(a)s das suas companheira(o)s, se um dia se separarem?
Imaginemos uma situação perfeitamente plausível... Uma mulher divorcia-se ficando com a custódia do filho de 3 anos, conhece alguém por quem se apaixona e vive com ele durante 10 anos até que se separam. O pai/mãe da criança continua a ter direito a estar com o filho, tendo convivido diariamente com ele durante 3 anos, por outro lado, o homem/mulher que acompanhou o crescimento e criou uma relação de amor "paterno"/"materno" com a criança tem direito a quê ao fim de 10 anos de partilha de cada alegria e tristeza da criança que cuidou com todo o carinho?
Será que a genética ainda pode continuar a ter um peso tão assombroso e aglutinador...
Poderá o gene continuar a ditar todas as regras?

2 comentários:

Anônimo disse...

Confesso que nunca tinha pensado nesta questão, e ela é de facto pertinente.
São inúmeros os casais divorciados onde a mãe e o pai acabam por refazer a vida com uma outra pessoa.
Essa pessoa, padrasto ou madrasta têm de facto um papel preponderante no crescimento e diria até na educação da criança.
São como segundos pais ou segundas mães …
É natural que se criem laços fortes afectivos entre estas crianças e estes adultos, e, também me parece razoável que possa existir um convívio salutar dos mesmos após a separação.

Anônimo disse...

O que ninguém queria era a separação. Seja no primeiro, seja no segundo casamento ou terceiro, etc... Especialmente quando há crianças. As crianças criam laços com facilidade e, se elas não são as criadoras dos conflitos, têm muita dificuldade em entender as separações e os cortes nas relações dos adultos. Por isso, devem os adultos acautelar essas situações. Permitir o convívio com um padrasto ou madrasta depois de uma separação, pode ser difícil, mas se as crianças o pedem, considero que se deve fazer tudo para que esse convívio não desapareça. O mesmo se passa com o pai ou mãe biológicos. Quantas vezes é preciso fazer um verdadeiro sacrifício para permitir essa relação com a criança depois da separação?... Parece-me que o que interessa são os afectos e fazer o que o coração pede!...